05/02/2019

Carta ao (à) Leitor(a)

Olá, pessoal, tudo bem?

Há pouco mais de dois anos decidi que estava na hora de organizar a minha vida. Isso ocorreu após um excelente 2016 em que concorri à vereadora pelo PSOL aqui em Novo Hamburgo e, enfim, ingressei no grupo do Programa de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Quando iniciei a jornada de organização da minha vida não fazia ideia de como as coisas ocorreriam - afinal, não sabia nem por onde começar, quanto mais conseguir ter controle sobre algo, não é mesmo?

Logo que comecei a pesquisa já descobri o Método GTD, o qual venho estudando desde então e procurando adaptá-lo às minhas particularidades. Afinal, não posso moldar a minha vida à alguma coisa que seja estanque e inanimada, apesar de o método em si ser baseado em ações lógicas, sensatas e que procura otimizar a produtividade pessoal.

O fato é que, desde que passei a usar o GTD parece que o curso da minha vida foi entrando nos eixos à medida em que as coisas começaram a acontecer. Uma das primeiras medidas que tomei em 2017 foi entrar em contato com uma advogada de Canoas para dar início ao processo de retificação de nome civil e gênero (o qual foi concluído no ano seguinte sem maiores sustos ou sobressaltos). Também naquele ano fiz parte de um grupo de pacientes do Protig que articulou um movimento que apresentou um documento com sugestões de melhorias de atendimento. 

Quanto ao ano passado, foram muitas vitórias: a sentença e posterior trânsito em julgado da ação apresentada no ano anterior, a retificação completa de TODOS os documentos e minha candidatura à deputada federal pelo PSOL.

Como não poderia deixar de ser, o Sol nasce para todos, não é mesmo? Então, apesar de muitas pessoas reclamarem de janeiro, que parece ter tido 365 dias de tão longo que foi, eu não tenho muito do que me queixar. Afinal de contas, logo no princípio do mês fui me consultar com uma nutricionista, passei a controlar melhor a alimentação, fui comunicada oficialmente que ingressei na lista de espera para a cirurgia de redesignação sexual e, por fim, comecei a trabalhar como colaboradora do mandato da deputada estadual Luciana Genro. Como podem perceber, não se trata de pouca coisa para um único mês.

Assim, decidi que, por conta de tudo o que vem pela frente, e, acreditem, eu tenho uma razoável ideia do que me espera, irei alterar a linha editoral do blog. Não trataremos mais aqui sobre minha vida pessoal. Doravante, o conteúdo primordial, será de notícias que dizem respeito à causa trans. Eventualmente, é claro, eu publicarei textos com atividades em que participei. Por exemplo, em março, já tenho agendado dois compromissos: um relacionado diretamente com o Dia Internacional da Mulher e outro dentro da Semana Acadêmica da Comunicação da UFRGS.

De toda forma, não se preocupem que me esforçarei para manter este blog nem que seja minimamente atualizado.

Beijocas.

10/01/2019

Saúde, Gisele Bündchen, Revolução e Compromissos Pessoais

Olá, pessoal, tudo bem?

Confesso que venho tentando escrever um texto para o blog desde o início do ano, porém, até agora, não havia tido êxito.

Noves fora a posse do mais nosso novo presidente da República, as coisas vão de vento em popa por aqui. Na quinta, dia 3, coletei sangue no Hospital de Clínicas. Os resultados foram alvissareiros, especialmente ao que concerne o nível dos triglicerídeos que despencou de 249 mg/dL (em setembro de 2018) para 177 mg/dL (agora em janeiro). Trata-se de uma grande vitória, sobretudo por conta da advertência que eu recebera de que se não abaixasse o nível dos triglicerídeos, ela (a endocrinologista) entraria com medicação. Espero, assim, receber um elogio na consulta da próxima segunda-feira.

No dia seguinte, eu fui na nutricionista. Durante a consulta de quase 1 hora, mostrei-lhe diversos documentos (os resultados dos exames do dia anterior e a avaliação na Arena 3), além de lhe informar a respeito do diagnóstico de Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo com subtipo de Ansiedade, feito pela minha psicóloga, ainda no início do ano passado. A partir disso, conversamos qual seria a melhor forma de proceder o plano alimentar e chegou-se a conclusão de que o ideal seria fazê-lo a partir de alimentos que já consumo mas sob outras formas. De toda forma, ela me pediu para que eu fotografasse tudo o que eu comesse no sábado e lhe enviasse, em tempo real, pelo WhatsApp. Segunda à noite recebi meu plano alimentar. Desde então, houve alguns progressos: pela primeira vez, por exemplo, comi um ovo cozido; também consegui comer alface no almoço. São pequenos progressos, é verdade, mas é um avanço. Ontem, no almoço, por exemplo, tomei um copo médio de laranja. 

Domingo, outra novidade. Fui à academia! Sim, eu me superei. O fato é que estou comprometida em cuidar mais da minha saúde em 2019. Infelizmente, ainda não consegui pegar o ritmo de ir todos os dias, pois os treinos são bem mais puxados. Então, por enquanto, tenho ido dia sim, dia não. Mas, como diria Cazuza, "eu vou sobrevivendo sem um arranhão"...

Como comentei acima, na próxima segunda-feira, terei consulta com a endocrinologista do Protig. Mas não apenas isso: terei mais uma sessão do grupo do Protig. E também nesta segunda, será a primeira consulta do ano com a minha psicóloga. Aliás, para essas consultas individuais, eu levarei a minha tradicional pasta cor-de-rosa contendo todos os documentos necessários: prontuário completo do HCPA, avaliação da Arena 3 e avaliação, planos alimentar e outros documentos suplementares fornecidos pela nutricionista. Meus objetivos são mostrar à endocrinologista meu empenho em melhorar a minha saúde e fornecer maiores subsídios à minha psicóloga no que concerne à luta contra o TARE. Porque, para quem não me conhece, e como diz o ditado, eu não apenas mato a cobra, mas também mostro o pau (E, não, não tem nada a ver com aquele "pau" que você deve estar maliciando).

Reparam que, até agora, neste texto, eu escrevi apenas sobre saúde? Não tenho certeza, mas suspeito que muitas das atitudes aqui narradas possuem relação direta com a leitura de "Aprendizados", da Gisele Bündchen. Lembro, por exemplo, que foi por conta deste livro que tomei duas iniciativas ainda em dezembro: agendar a nutricionista e trocar de academia. Enfim, algo me diz que a leitura de "Aprendizados" me influenciou de forma positiva. Aliás, uma das passagens que me marcou muito está logo no primeiro capítulo, à página 31: 
"...minha ênfase era em ser a melhor que podia ser no que faço, o que significa dar o meu melhor. Sinceramente, eu poderia ter escolhido seguir outras profissões! E, mesmo assim, seja lá o que eu fizesse, sabia que teria de ser a melhor. Não a melhor comparada a outras pessoas, mas a melhor versão de mim mesma".
Em relação à questão do corpo, Gisele também escreveu coisas que mexeram comigo, como, por exemplo, à página 203:
"Nosso corpo e nosso planeta são os únicos lares que temos. Como você quer seu lar seja para que se sinta melhor e mais feliz? Você está tratando a si mesmo com carinho e respeito de modo a poder pedir e receber o máximo do seu corpo e da sua mente? Se você não deu ao seu corpo a atenção e a nutrição de que precisa, é pouco provável que ele vá oferecer o que você precisa em troca".
E, por fim, mas não menos importante, outra passagem, esta na página 207:
"Nós somos o que comemos! Isso não é novidade para quase ninguém, mas vou ainda mais além. Também somos como comemos. Levei anos para entender de que nao se trata apenas do que ponho na boca - e também de como estou comendo -, não só da velocidade, mas também do meu estado emocional".
Confesso que tudo isso fez com que eu me convencesse da necessidade de rever urgentemente algumas coisas e que eu tomasse providências. E foi o que fez.

De toda forma, no que concerne à minha saúde, o trabalho também terá de ser multidisciplinar, envolvendo, portanto, não necessariamente na ordem abaixo, nem mesmo em termos de importância:


  1. Endocrinologista do Protig do HCPA;
  2. Instrutora do Centro Esportivo Arena 3;
  3. Nutricionista;
  4. Psicóloga.
Bem, e isso encerra a primeira parte do texto.

Outra parte diz respeito à mesa de escritório que comprei de uma amiga que irá se mudar para a Argentina. Amanhã, enfim, a dita mesa será instalada em meu quarto e eu darei início à revolução. Vocês devem estar imaginando que o termo "revolução" possa ser impróprio para se aplicar à situação. Entretanto, como perceberão, é mais do que apropriado.

Não se trata apenas de uma simples instalação da mesa de escritório, mas também de uma dança de móveis dentro do meu quarto. A escrivaninha será deslocada de frente da janela para a parede lateral, junto à cama. Assim, passarei a ter uma mesa de escritório e uma escrivaninha. A cômoda que hoje se encontra na parede lateral, será deslocada para atrás da porta. E duas cômodas menores serão inseridas sob a mesa de escritório, bem como uma terceira cômoda, onde hoje se encontram a televisão e o receptor da NET.

Perceberam a revolução? Aliás, ela já começou, pois, esta manhã, quando o marceneiro esteve aqui em casa, deslocamos o meu guarda-roupas para a parede. Por conta disto, foi preciso que eu removesse o porta-chaves. Inclusive, devido à necessidade de empurrar o guarda-roupas, a ideia original de deslocar a cômoda de frente do espelho para do lado do guarda-roupas teve de ser descartada.

Eu não disse que era uma revolução? 

Por fim, há uma terceira parte sobre a qual gostaria de escrever. Neste sábado, haverá a primeira reunião do PSOL NH neste ano. No dia seguinte, também à tarde, ocorrerá a primeira reunião do Coletivo Elis Vive em 2019 e o encontro deverá ser na sede Hélio Dourado, que compartilhamos com a Tribuna 77 e a qual integramos.

Enfim, alguma coisa me diz que comecei 2019 de forma bem acelerada...

🙋

31/12/2018

Retrospectiva Pessoal 2018

Olá, pessoal!

2018, sem dúvida, foi um ano divisor de águas na minha vida. Um ano de grandes conquistas, porém, acima de tudo, de muitos aprendizados. E é a respeito disto tudo que escreverei neste texto.

O acontecimento responsável por fazer de 2018 um divisor de águas na minha vida, indubitavelmente, foi a retificação de nome civil e de gênero, prolatada em 24 de abril (sentença da juíza Joseline Vargas, diretora do Foro de Novo Hamburgo) e transitada em julgado em 06 de junho (coincidindo com o dia que iniciei minha terapia hormonal. Portanto, um dia já embuído de profundo significado pessoal). A partir daí, eu passei a correr atrás da retificação formal dos documentos - CPF, RG, CNH, Carteira de Trabalho, diploma universitário, atualização de cadastros nos tabelionatos e na Prefeitura, no banco, PIS/PASEP, imobiliária, administradora de condomínio, operadora de telefonia/televisão por assinatura, consultórios, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Ministério do Trabalho e Emprego (RIP), Ofício do Registro de Imóveis e Justiça Eleitoral (onde, apesar de ter feito uma retificação prévia na janela aberta pelo TSE para que eleitores/as pudessem fazer uso do nome social, como o trânsito ocorreu apenas após o fechamento do cadastramento eleitoral, só pude formalizá-lo em 06 de novembro). Basicamente, eis aí a lista de tudo o que precisei ir atrás para, de fato e, agora também, de direito, me tornar Luíza Eduarda dos Santos. 

Quando tudo estava bem encaminhado em relação à documentação, manifestei meu desejo de ser candidata à deputada estadual. A ideia original, do início de 2018, era ir à deputada federal, porém, considerei que o anúncio da desistência em função da retificação dos documentos, a comprometera. Porém, estava enganada e ouvi de que queriam que eu fosse à deputada federal mesmo.

Aliás, em termos de militância política, 2018 foi bem complicado para mim. A execução de Marielle Franco, em 14 de março, apesar de sequer conhecê-la pessoalmente, me abalou, sobretudo por conta da forma como se deu com 4 tiros na cabeça. Este acontecimento político fez com que eu me mantivesse distante da política partidária durante umas três semanas. Meu retorno se deu a partir de um encontro no Centro de Porto Alegre com uma assessora da então vereadora de Porto Alegre, Fernanda Melchionna. Ali, eu me reanimei.

Durante a campanha eleitoral, conforme foi se esvaindo a possibilidade de Jair Bolsonaro ser apenas um cavalo paraguaio e, consequentemente, sua candidatura foi se tornando sólida, afundei em uma depressão que me imobilizou por completo. Passei a ir a Porto Alegre apenas para as consultas no Hospital de Clínicas e com a minha psicóloga, além de compromissos partidários. Naturalmente que a paralisia decorrente da depressão atingiu em cheio minha campanha. Eu não conseguia sequer sair de casa. Assim, procurei fazer alguma coisa via mídias sociais, sem saber bem como, pois na área de design, confesso, sou um desastre. De toda forma, algumas aparições no horário eleitoral, em vídeos coletivos, auxiliaram que eu fizesse 359 votos em 73 cidades do Rio Grande do Sul. 

Eis que chegou 29 de setembro. Este ano, a data de meu aniversário, veio acompanhada por um plus: um ato no Parque da Redenção contra Jair Bolsonaro, o #EleNão. Medo. Receio. Depressão. Imobilização. Sensação de insegurança. Risco de confrontos. Meu aniversário. Tudo isso fez com que eu desistisse de ir ao ato.

Dois dias depois houve um comício na Esquina Democrática com a presença dos candidatos a presidente (Guilherme Boulos) e co-presidenta (Sônia Guajajara). Compreendi que, neste caso, só havia a opção de ir, ainda mais porque já estaria em Porto Alegre, por conta da consulta com a psicóloga. 

Em 07 de outubro, o Brasil foi às urnas. O desastre se desenhou. No segundo presidencial, era Jair Bolsonaro (PSL) x Fernando Haddad (PT). Aqui no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) x José Ivo Sartori (MDB). Sartori era candidato à reeleição em um Estado onde nenhum governador se reelegeu. 

Pernoitei aquela noite no apartamento de um casal de camaradas nas imediações do Beira-Rio. De manhã, segui de lá para o Hospital de Clínicas, pois tinha sessão do grupo e consulta com a psiquiatria - que, aliás, já havia estrategicamente agendada como forma de se fazer uma avaliação da campanha eleitoral e se verificar minhas condições psicológicas. Devido às minhas condições, dobraram a dosagem do antidepressivo Citalopram de 20 mg para 40 mg. A situação era realmente muito séria e podia se perceber que a mesma se refletia na pele, pois, após ter controlado durante meses o skin picking, ele estava a pleno vapor novamente. A conjuntura política foi determinante.

Em 21 de outubro novo ato #EleNão. Desta vez, mais confiante, eu fui. Ali, recebi o convite de uma amiga para que fôssemos à tenda da Tribuna 77. Enfim conheci a Natasha Ferreira, candidata à deputada estadual pelo PC do B. Nós - ela e eu -, as únicas candidatas trans no Rio Grande do Sul. 

Na véspera do segundo turno, soube que havia uma mobilização na praça Punta del Este, na frente do Bourbon Shopping Novo Hamburgo e bem embaixo da Estação Novo Hamburgo da Trensurb. Fui até lá para saber se precisavam de auxílio. Acabei descobrindo que se tratava de uma ação entre militantes do PT e do PSOL de Novo Hamburgo. Como estava todo mundo bem entrosado, quando chegou o megafone, eu o peguei. Sempre que alguém me pedia, eu passava adiante. Mas, na maior parte do tempo, fiquei discursando com o megafone contra Jair Bolsonaro. 

Na noite seguinte, somei com os militantes do PT e do PSOL na rua Casimiro de Abreu que se fechou para que pudéssemos tomar aquela quadra. Quando a desgraça se consumou, a reação foi realizar discursos de mobilização. Fui a segunda. Meu discurso, apesar de ter sido feito no improviso, soube dias depois, teve excelente receptividade. Lá, pelas tantas, me dei conta de que havia esquecido de ter puxado um coro importante. Subi novamente na cadeira e gritei: "Marielle..." ao que as pessoas responderam "Presente!".

Porém, o medo tomou conta de mim. E eu havia decidido que iria me informar a respeito da aquisição de armas na armeria de um amigo da minha mãe. Na tarde do dia seguinte ao do 2º turno, tive uma conversa com a Luciana Genro, via WhatsApp, na qual comentei a respeito da existência do relato de criação de grupos de extermínios contra pessoas LGBTs. Ela, muito sensata, me respondeu: "Não adianta ter e não saber usar muito bem". Foi quando ela me recomendou que eu adquirisse um spray de gengibre.

De toda forma, fui até a armeria desse amigo da minha mãe, pois acreditava que ele deveria ter spray de gengibre. Ele me disse que como não havia muita procura, ele não trabalhava com isso, mas que eu deveria conseguir ou na Casa do Pescador (na av. 7 de Setembro, perto do Garfão) ou no Armazém do Pescador (na av. 1º de Março, perto da Arena 3). Aproveitei e conversei com ele a respeito de armas, cursos e burocracias para a aquisição legal. Sempre acreditei que uma pistola fosse mais leve do que um revólver, mas ele desfez esse mito. "Nem sempre", ele me disse.

Conforme a duplicação da dosagem do Citalopram foi fazendo efeito, as coisas foram melhorando. Fui ficando mais calma, consegui controlar um pouco melhor o skin picking. Também foi muito importante eu ter passado a integrar a Tribuna 77, um movimento anti-fascista de torcedores do Grêmio. Posteriormente, as mulheres da Tribuna 77 criaram o Coletivo Elis Vive - em homenagem à falecida cantora Elis Regina, que era sócia do Grêmio. Assisti às duas partidas das semi-finais contra o River Plate na sede Hélio Dourado, há duas quadras da Arena. No início de dezembro, nosso Coletivo se reuniu pela primeira vez. Foi no Parque da Redenção, em uma quente tarde de domingo. Traçamos alguns planos para 2019. No dia 22 de dezembro, fizemos nossa confraternização na sede Hélio Dourado. Mas não foi uma mera confraternização. Houve também uma ação social, o Natal Solidário, onde se distribuiu presentes para as crianças da Vila Farrapos e elas puderam brincar e se divertir bastante. Distribuímos geladinhos (que eu sempre havia conhecido como sacolé). Enfim, foi uma tarde/noite muito especial. Mágica.

Neste ano, tomei uma iniciativa bastante surpreendente, quando, já em meados de dezembro decidi trocar a House Gym (que me acolhera tão bem) pela Arena 3. Dentre outras razões, eu precisava dar um up. Renovar o ânimo, o tesão de malhar. Consegui.

Também trocamos a Sky pela NET.

Este ano também foi importante pois aprofundei meus estudos no método GTD, decidi que precisava realizar uma educação financeira, fiz assinaturas de aplicativos que considero muito úteis (Spotify, Evernote e Mobills), do jornal Folha de S. Paulo e da GaúchaZH Digital. 

Na mais chocante decisão do ano, vendi o Guerreiro! 

2018 também foi um ano em que consegui cumprir a minha meta de leituras. Aliás, não só cumpri como a superei. A meta eram 12 livros - um por mês. Ontem, eu encerrei a leitura do 15º livro! Meu perfil no Skoob registro que, neste ano, eu li mais de 3 mil páginas! Li de tudo um pouco, conforme vocês perceber abaixo:

* ARCURI, Nathalia. Me Poupe! Rio de Janeiro: Sextante, 2018. 176 p.
* BRANT, T.; MOIRA, Amara; NERY, João W.; ROCHA, Márcia. Vidas Trans. Bauru: Astral Cultural, 2017. 176 p.
* BUKKARIN, Nikolai; PREOBRAJENSKI, Ievguêni. ABC do Comunismo. 2ª ed. São Paulo: Edipro, 2018. 128 p. 
* BÜNDCHEN, Gisele. Aprendizados. Rio de Janeiro: BestSeller, 2018. 238 p.
* BUTLER, Judith. Problemas de Gênero. 13ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. 288 p.
* CAMPOS, Vladimir. Organizando a Vida com o Evernote. Ed. Vladimir Campos, 2014. 173 p.
* GERCHMANN, Leo. Coligay - Tricolor e de Todas as Cores. Porto Alegre: Libretos, 2014. 192 p.
* GODINHO, Thais. Casa Organizada. São Paulo: Ed. Gente, 2016. 224 p.
* __________. Trabalho Organizado. São Paulo: Ed. Gente, 2018. 256 p.
* GUARESCHI, Pedrinho; RAMOS, Roberto. A Máquina Capitalista. 2ª ed. Petropólis: Ed Vozes, 1988. 116 p.
* HAWKING, Stephen. Breves Respostas para Grandes Questões. Rio de Janeiro: Ed. Intrínseca, 2018. 256 p. 
* MIGUEL, Luis Felipe; BIROLI, Flávia. Feminismo e Política. São Paulo: Boitempo, 2014. 164 p.
* NUZZI, Gianluigi. Vaticano S.A. São Paulo: Larousse do Brasil, 2010. 304 p.
* PIEDADE DA SILVA, Inajara. A Transexualidade sob a Ótica dos Direitos Humanos. Porto Alegre: Ed. Sulina, 2018. 143 p.
* PRECIADO, Paul B. Manifesto Contrassexual. São Paulo: n-1 edições, 2017. 224 p.

Por falar nisso, o Spotify registro que eu ouvi música durante 41.177 minutos. Qual artista que mais ouvi? Pitty, óbvio. Também foram dela as cinco músicas que mais escutei no SpotifyAliás, em 2018, enfim, realizei meu sonho e assisti a um show da Pitty. Foi maravilhoso. Inesquecível. 

Bem, este foi meu ano de 2018. Sem dúvida, o melhor ano da minha vida em termos pessoais. Um ano em que me apropriei legalmente do meu nome e do meu gênero. Um ano de aprendizado sobre política, economia, finanças, sociologia, produtividade, direitos humanos, militância e até astronomia! Um ano em que fui ao meu primeiro show da Pitty. Um ano em que concorri à deputada federal. Um ano em que ingressei em um movimento anti-fascista e, posteriormente, criamos um coletivo feminista, de torcedores/as do Grêmio. Um ano marcado por altos e baixos. Um ano intenso. 

Beijocas.

12/12/2018

Reeducação Financeira, Feminilidade e Leituras

Gisele Bündchen segurando cópia de seu livro em noite de sessão de autógrafos
(Crédito da foto: Manuela Scarpa/Brazil News)

Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Sinceramente, espero que sim!

Decidi escrever para compartilhar com vocês alguns sentimentos que têm brotado em mim nas últimas semanas. Em meados de novembro dei início à uma reeducação financeira tomando como referência as dicas da jornalista Nathalia Arcuri, autora de "Me Poupe! - 10 Passos para Nunca mais faltar Dinheiro no seu Bolso". Aliás, minhas finanças sempre foram meu ponto fraco. Uma das razões para isso é que ainda durante o Ensino Fundamental eu aprendi a odiar Matemática com todas as minhas forças. Cada teste, cada prova, era um verdadeiro pesadelo para mim. Lembro-me perfeitamente que nessas manhãs, minha mãe administrava gotas de água de melissa para mim. Acreditava-se que teria efeito calmante o que faria com que eu tivesse um desempenho menos pior em Matemática. Nunca surtiu qualquer tipo de efeito. O trauma se consumou em definitivo em 1993 quando fui reprovada em Matemática, Matemática Financeira e Física (além de Biologia).

Este aparente relato desconexo é importante porque é a provável causa para o desenvolvimento daquilo que a Nathalia Arcuri denominou de "dinheirofobia". Até há algum tempo atrás, eu nunca empreendera qualquer tipo de esforço no sentido de tornar minhas finanças viáveis. Entretanto, em meados deste ano li o livro da Arcuri e tive uma pequena reação em forma de espasmo, quando decidi parcelar uma dívida que me consumia. Também passei a me habituar a lançar os dados no "Minhas Economias". Há algumas semanas, porém, me irritei com este site por conta da questão da sincronização e decidi partir para o "Mobills", que uma amiga me indicou, após ela ter visto um vídeo no meu canal do You Tube - o qual, por sinal, carece de atualização!. Amei o "Mobills" a tal ponto que decidi assiná-lo.

Desde que me convenci de maneira irrenunciável da urgente necessidade de colocar as finanças em ordem, passei a adotar medidas, que, para pessoas anticapitalistas como eu, soam como medidas de austeridade. Uma, em especial, foi extrema. Apesar de considerar as consultas com a minha psicóloga como pertencente ao grupo de despesas "Essenciais", eu me vi forçada a cortar na carne, porque, naquela momento, caso eu realmente quisesse colocar as finanças em ordem, era preciso começar por onde a sangria era maior. Assim, suspendi as consultas por três semanas. Essa semana, já com um maior controle da situação, retomamos as consultas. A princípio, serão duas por mês em dezembro, janeiro e fevereiro, com o compromisso de reavaliação da situação em março.

Pela primeira em minha vida, acreditem, eu elaborei um orçamento pessoal! Sempre utilizando as categorias e os percentuais sugeridos pela Nathalia Arcuri. Assim, procurei proceder distribuir os valores recebidos de acordo com os cálculos realizados. Sim, você leu "cálculos". Aliás, cálculos foi a coisa que mais fiz entre a tarde de sexta-feira e a noite de sábado... Afinal, entre necessário distribuir os valores não apenas entre as categorias de despesas, mas também de quais contas sairiam os recursos... E quanto mais cálculos eu fazia, mais eu ficava surpresa comigo pois os resultados faziam sentido e... estavam corretos! Enfim, passei a entender a lógica por trás dos cálculos que estava fazendo. E isso me surpreendeu!

Um exemplo concreto é com relação ao rendimento da poupança. Percebi que o acréscimo no valor ali depositado não poderia corresponder aos 4,55% que constava no site do Me Poupe! O que deduzi? Sim, que os 4,55% eram o rendimento anual e que, portanto, seria preciso dividi-los por 12. Foi assim que cheguei a 0,379% e, seguindo a lógica, arrendondei para 0,38%. E adivinhe? Os valores bateram!

Também passei a estudar sobre Tesouro Direto, uma forma de investimento. No momento, estou só estudando a respeito, procurando descobrir qual o melhor título e suas condições que contemplem as minhas necessidades.

Aliás, pode ser um tanto contraditório uma pessoa dita, tida e havida como socialista investir em Tesouro Direto, entretanto, essa foi uma decisão que tomei considerando-se o fato de que, infelizmente, vivemos em uma sociedade na qual o dinheiro é crucial para nossa subsistência.

Mas isso é apenas uma parte. Ocorre também que, ao elaborar meu primeiro orçamento pessoal, percebi a viabilidade de sair da areia movediça na qual eu me encontrava. Como bem observou a minha psicóloga, a minha vida era/estava estagnada. Eu não possuía margem de manobra para absolutamente nada!

Ao mesmo tempo, outros elementos foram aflorando em mim. Por exemplo, uma maior cobrança pessoal no que concerne à feminilidade. Nos últimos dias tenho procurado me maquiar sempre ainda pela manhã. E o melhor de tudo é que passei a ter uma consciência ainda maior de meu corpo enquanto a mulher que a Luíza (eu, Luíza) sou!

Stephen Hawking experimentando os efeitos da gravidade zero em um momento singular para ele.
(Crédito da foto: Steve Boxall)
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Nessas últimas semanas também eu li "Breves Respostas para Grandes Questões", do falecido cosmólogo Stephen Hawking. E hoje me dei de presente "Aprendizados", da magnífica modelo gaúcha Gisele Bündchen.

Enfim, estes eram alguns apontamentos que senti necessidade de compartilhar.

Aproveite para curtir, comentar e compartilhar o texto e seguir o blog. Obrigada.

Beijos.

18/11/2018

O Retorno à House Gym, o Estudo sobre Educação Financeira e seus Desdobramentos

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?

A semana que passou (encerrada neste sábado) foi um muito especial. Pela primeira vez, em meses, eu fui três vezes à academia, sendo dois dias de forma consecutiva. Além disso, em duas ocasiões, nas manhãs de terça e sexta, caminhei em quadras do meu bairro como forma de ativar a circulação, aumentando assim meu ânimo e disposição. Isso não ocorreu na quarta e na quinta, em virtude dos treinos dos dias anteriores.

A propósito de meu retorno à House Gym, fica aqui um registro do reencontro das três amigas:

Gláucia (centro-esquerda) e Laura (à direita). Luíza (fotógrafa da selfie à frente)
Bom, mas a alegria do texto acaba aqui. Isso porque, doravante, passarei a justificar decisões tomadas e que terão impactos consideráveis. Na sexta-feira, à tarde, decidi seguir, enfim, um conselho da minha psicóloga: resolvi sair de casa para espairecer e trabalhar em um outro ambiente. Escolhi a Delícias Confeitaria e Café, localizada no bairro Vila Rosa, próxima ao antigo Estádio Santa Rosa. Afinal, eu precisava de pão de sanduíche e lá que eu o compro. Então, nada melhor do que unir o útil ao agradável. 

Enquanto comia uma torrada e tomava uma xícara de café passado, eu decidi refazer o exercício dos objetivos de longo, médio e curto prazos da Thais Godinho. Em seguida, elenquei tarefas para cada um dos objetivos de curto prazo. E uma dessas tarefas foi a educação financeira.

Animada, voltei para casa e fui malhar. Estava muito empolgada. Malhei das 18 horas até umas 19h 25, quando saí de lá. Aliás, eu finalmente encerrei as sessões programadas para o treino atual. Se não for possível para amanhã, no máximo, até terça-feira já deverá ter um novo programa elaborado pela Nicole para mim. Mas adiante...

Durante este ano, eu li "Me Poupe! - 10 Passos para nunca mais faltar Dinheiro no seu Bolso", da Nathalia Arcuri. Aliás, indicado pela minha psicóloga. Decidi, então, fazer um resumo das anotações desses dez passos:
  • É indiscutível que me encontro na "Fase 4 - Estágio avançado" da infecção causada pelo vírus da dinheirofobia, pois, conforme Arcuri: "É comum a ocorrência de sintomas como endividamento excessivo, descontrole financeiro e total desconhecimento de saídas eficazes para o problema". Eis aí a definição perfeita para a minha atual situação.
  • Ter objetivos claros e fazer uso dos 4 Fs da Riqueza: Foco, Fé, Força e Foda-se. "A soma desses quatro Fs é essencial para prevenir a instalação de um quinto (e indesejável) F: a Frustração", sentencia.
  • Outra constatação é a de que precisa-se ter metas, metinhas e metonas, além de se fazer uso da técnica SMART (Specific, Measurable, Achievable, Relevant e Time-Bound).
  • Arcuri alerta que o dinheiro não aceita desaforo e que não devemos desperdiçá-lo, especialmente, quando se suou tanto para ganhá-lo.
  • A seguir, ela projeta a pirâmide populacional do Brasil até 2050 e ressalta a respeito da necessidade de nos prepararmos para nossa velhice. (Ok, eu já sei que trabalharei até meu último suspiro, em função de questões pessoais e que não guardam quaisquer relação com a "Reforma" Trabalhista do governo Temer, mas ainda assim não há porque eu ignorar). Aqui, ela explica duas técnicas: o Custo 100 (ou seja, a quantidade de horas que você precisa trabalhar para ganhar 100 reais) e o QUE-ME-PRE-PO-DE (que você deverá levar em consideração na hora de comprar qualquer coisa e que cuja sigla se refere à cinco questões básicas: Eu quero?, Eu mereço?, Eu preciso?, Eu posso? e Eu devo?) Ainda nesta seara, ela explica a respeito da receita do sucesso financeiro 70/30. Arcuri recomenda que se use 55% da renda para o que é essencial, 5% para a educação, 20% para os objetivos de longo, médio e curto prazos, 10% para a aposentadoria/independência financeira e 10% para gastos livres. Por fim, dá o passo a passo para se livrar das dívidas.
  • Na sequência, ela recomenda que se acredite nos juros compostos e explica que o mesmo atua para o mal e para o bem. E este ponto, convém salientar, pesou e muito em uma decisão que tomei. Após falar sobre juros compostos, ela listou uma série de opções de investimentos e os explicou individualmente. Também elaborou um breve questionário para aquelas pessoas que possuem interesse em se aventurar na Bolsa de Valores. Arcuri ainda comenta sobre o S.O.S. Reserva de Emergência e os cuidados que se deve ter com a Previdência Privada.
  • A próxima recomendação é que nunca devemos parar de aprender e ela cita cinco livros que mudaram sua vida financeira, a saber: "Como organizar sua vida financeira" e "Adeus, aposentadoria", ambos do Gustavo Cerbasi; "A mente acima do dinheiro", de Ted e Brad Klontz; "Rápido e devagar", de Daniel Kahnemann; e "As armas da persuasão", de Robert B. Cialdini. Destes, apenas o do Kahnemann, eu já adquiri. Mas, certamente, irei atrás dos outros quatro. Aqui, ela também fala a respeito de se livrar de âncoras financeiras, que são aquelas pessoas que não deixam você sair do lugar. Neste caso, o que preciso ser feito, após a identificação, é ou evitar o contato ou blindar-se contra os comentários nocivos. Ela lembra ainda que "o conhecimento não vai bater à sua porta. É você que tem que buscá-lo.
  • Uma afirmação um tanto impactante é seu conselho para que se esqueça o que te disseram sobre aposentadoria. Sua orientação é para busquemos a independência financeira de acordo com o padrão de vida que possibilite que se viva bem com determinado valor médio mensal.
  • O penúltimo passo é sensacional: assumir a responsabilidade e permitir-se errar. Ou seja: é sair da zona de conforto e ser persistente. Aqui, ela cita o consultor Brian Tracy: "Você é o que você pensa e diz sobre si mesmo(a) a maior parte do tempo" a fim de justificar que "Não me venha com 'Eu não posso, não tenho, não consigo, não sou'". Por  fim, ela lista alguns comportamentos que costumam atrasar a vida: fechar os olhos para a realidade; achar que a culpa é sempre dos outros; e dar o passo maior do que a perna.,
  • Para encerrar, ela incentiva que agradecemos e comemoremos todos os dias e que devemos nos permitir descobrir o lado bom de ter vivido coisas ruins. "A mágoa pode continuar lá, o rancor também, mas, quando você conseguir perceber que o que não te matou te fortaleceu, aí, sim, terá dado o passo definitivo em direção a uma vida mais próspera, inclusive financeiramente". Ela também afirma que "Sempre haverá uma justificativa para todos os nossos fracassos - e as justificativas são a grande muleta da vida das pessoas. Enquanto não assumimos a responsabilidade pelos nossos fracassos, não conseguiremos curar nossa vida financeira".
Enfim, após ter feito este breve resumo e constatado a necessidade de reorganizar minha vida financeira, eu tomei algumas decisões, sobre as quais me reservo o direito de não compartilhar com vocês, mas que permitirá que eu injete mensalmente algum dinheiro na poupança. Além disso, meu foco prioritário em relação às contas será a quitação de uma pesada dívida que possuo, a qual renegociei meses atrás e cujo pagamento venho honrando. Desta forma, tudo o que posso revelar é que tais decisões serão mantidas até março, quando, eventualmente, poderão revertidas, ou não.

Bom, eu reconheço que este texto ficou longo, mas eu senti necessidade de escrever a respeito. Até porque trata-se de uma pequena revolução a caminho e, para mim, é muito significativo encarar a questão financeira, de frente, de forma como nunca tinha feito antes.

Beijos.

13/11/2018

Misérias Humanas

Apesar deste texto parecer fora da curva em relação ao restante do blog, caso seja feita uma mínima análise de seu conteúdo, ele exigiu ser escrito. Quero, preciso, discorrer acerca das misérias humanas. Dos closes fora. Do achismo. De supostos lugares de fala. Da falta de empatia. Da ignorância. Da má-fé. Penso já ser o suficiente. Bem, então, vamos lá, porque este texto será impiedoso porque expressará meus sentimentos a respeito de alguns episódios que ocorreram comigo apenas nas últimas semanas.

O primeiro ponto é sobre transfobia e lugar de fala. Recentemente, uma colega alegou que eu não teria sofrido transfobia em um episódio que envolveu a minha tentativa de ingresso em setorial de mulheres. Dir-me-ão que "águas passadas não movem moinhos". Pode até corresponder a realidade, entretanto, o tema voltou à baila. Por isso, é preciso esclarecer que, assim como quem define o que é racismo são negras e negros; quem define o que é machismo e/ou misoginia são as mulheres; quem define o que é, ou não, transfobia são as pessoas transgêneras. Afinal, neste caso, como nos outros, ninguém tem o direito de se apropriar de um lugar de fala que não lhes pertence! Uma coisa é você querer participar da causa, da luta, e contribuir com ela como bem fazem Luciana Genro e Fernanda Melchionna; outra, bem diferente, é querer determinar o que é, ou não, sendo transfobia, sem o menor conhecimento de causa. Por isso, saibam que, doravante, caso aconteça uma situação dessas, dentro do PSOL, em havendo testemunhas, apresentarei denúncia junto à Comissão de Ética do partido. Simples assim.

Quanto ao segundo ponto, confesso ter um pouco de corda, entretanto, nada disso teria acontecido se o cara não tivesse me adicionado no Facebook e puxado conversa comigo. Não tardou para que passássemos para o WhatsApp. Conversa vai, papo vem... xaveco aqui, diálogos censuráveis ali... eis que o cara manifestou o interesse de me conhecer e tal... Ele já havia me dito que estava em um relacionamento e tal, é verdade. Porém, eu não esperava que após em uma única madrugada ele ter enviado 87 mensagens consecutivas, e, uma conversa posterior na noite seguinte, ele fosse me bloquear. Pois é. Bloqueou. Decidi voltar às origens e questioná-lo no Facebook. Então, ele alegou não querer magoar nem a mim, nem à esposa e que, além disso, no fim do ano ele ficaria fora do Brasil por um ano. Para coroar com a cereja do bolo, afirmou que "ele não me merecia". 

O relato acima deve ter feito vocês se questionarem porque aceitei a solicitação de "amizade" no Facebook. Ocorre que, apesar de termos apenas dois contatos em comum, ambos são de extrema confiança para mim, o que, de certa forma, em minha cabeça, serviria como avalistas de que o sujeito fosse uma pessoa íntegra. Infelizmente, me equivoquei.

Também preciso comentar a respeito de um episódio ocorrido pouco antes de ingressar na sessão do grupo do Protig, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Conversávamos nem sei bem direito sobre o quê, quando surgiu aquele negócio de agradecer a deus e tal - ou uma coisa assim, mas que envolvia religião. Foi quando, sem meias palavras, sentenciei: "Eu não acredito no cristianismo, no protestantismo, no hinduísmo, no budismo, no judaísmo, no islamismo..." Então, uma jovem trans, que estava conosco, me perguntou: "Então no que você acredita?" Respondi-lhe: "Eu acredito em mim". E percebi que ela ficou chocada quando lhe revelei meu ateísmo. Nisso, já havia uma colega de grupo, me defendendo e dizendo que era um direito meu não acreditar em deus (obrigada, Patrícia!). 

De fato, eu não acredito em um criador. Eu acredito na ciência. Além disso, há uma série de citações que eu gostaria de apresentar:

"Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama religião". (Robert Pirsig, filósofo estadunidense)

O aclamado físico britânico Stephen Hawking afirmou: "A mente do fundamentalista é como a pupila do olho: quanto mais luz você joga, mais ela se fecha".

Para o filósofo holandês do século XVII, Baruch Spinoza, "Deus é o asilo da ignorância". Já o roteirista britânico Steve Knight declarou: "Deus é um ser mágico que veio do nada, criou o universo e tortura aqueles que não acreditam nele, pois os ama".

"Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo estúpida", afirmou o escritor francês Anatole France. 

Eu poderia encerrar as citações por aqui, mas gostaria de citar mais quatro:

O imperador francês Napoleão Bonaporte, certa feita afirmou: "A religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas". O genial físico alemão (que, em função da II Guerra Mundial renunciaria à nacionalidade) Albert Einstein sentenciou: "Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo desprezível".

Por fim, duas frases que, em síntese, possuem um conteúdo muito semelhante:

"O que pode ser afirmado sem provas, pode ser rejeitado sem provas". (Christopher Hitchens, jornalista e escritor ateu britânico)

"Alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias". (Carl Sagan, astrônomo estadunidense)

Além disso, minhas leituras acerca da História e da Religião, me oferecem razões mais do que suficientes para, pessoalmente, refutar, sem sombra de dúvidas, a existência de qualquer ser ou entidade superior. Não podemos nos esquecer ainda que as religiões são as responsáveis pelas grandes carnificinas da História como a Inquisição, as Cruzadas, a II Guerra Mundial (que conteve elementos religiosos no momento em que Hitler perseguiu judeus e cometeu o Holocausto), os vários conflitos envolvendo o mundo árabe como o conflito entre Israel e Palestina, além do surgimento de várias organizações terroristas como Al Qaeda, Talibã e Estado Islâmico.

Tenho ciência de que o texto já está um tanto extenso, entretanto, conto com um pouco de paciência e boa vontade por parte de vocês. 

O último elemento a ser comentado é acerca da ansiedade. Dela, resulta dois graves transtornos com os quais convivo e apenas recentemente fui diagnosticada: Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo (TARE) e Skin Picking.

Sábado à noite fui vítima de bullying por parte de uma adepta do veganismo. Definitivamente, não é engraçado ser portadora de TARE. É terrível. O TARE te limita por dificultar as tuas relações de convívio especialmente quando envolve questão alimentar. Como eu respondi à amiga em questão: "Eu não sobreviveria meia hora sendo vegana." Tudo porque queijo e carne são produtos essenciais da minha alimentação. Se me tirassem queijo e carne, certamente, morreria em minutos tamanha seria a minha decepção. Fora isso, o fato é que não como feijão, massa, lasanha, pizza e nenhum outro alimento que contenha qualquer espécie de molho. Acrescente-se, ainda, a sopa, que eu fiz uma associação com vômito. Isso é apenas parte do que não como. Posso ir além e acrescentar frutas, legumes e verduras. Enfim, a minha alimentação é um lixo. E particularmente não vejo graça alguma nisso! 

Para piorar, de acordo com pesquisa que fiz, a possibilidade de reverter o quadro é muito baixo. De fato, até agora, o pouco progresso que fiz, já foi à pique. Em decorrência disso, conjuntamente com um longo período de inatividade física regular (sedentarismo), ganhei peso e meus triglicerídeos dispararam (o que levou a endocrinologista do Protig ameaçar com receita de medicação para controlá-los, caso não os diminua até a próxima consulta em janeiro).

Por fim, o skin picking. Mais outro transtorno ocasionado pela ansiedade. E pior: para o skin picking não há cura. Tudo o que se pode fazer é tomar medidas paliativas como técnicas de autocontrole. Mas e no que consiste o skin picking? Trata-se de lesões na pele, muitas vezes provocadas de forma inconsciente, pela própria pessoa quando se encontra em situações de angústia, ansiedade, estresse ou tédio. No meu caso, a situação havia sido controlada lá por volta de abril. Entretanto, com o decorrer da campanha eleitoral, que acabou por eleger Jair Bolsonaro (PSL) como presidente do Brasil a partir de 2019, voltei a agredir de forma impiedosa minha pele. 

Estou explicando  tudo isso pois, esta manhã, durante o almoço, uma conhecida de minha mãe, questionou a respeito das lesões na minha pele. E a extensão, aliás, é bem grave, pois se estende não só pelos braços, como pernas e nádegas. 

Enfim, eram estes os desabafos sobre as misérias humanas que eu precisava fazer. Sim, pois, as considero como uma total falta de empatia de um ser humano para com o outro. Se eu preciso rever algumas posturas e posições minhas? Com certeza! Mas, certamente, não sou a única pessoa que preciso fazê-lo...

05/11/2018

Mudanças virão: Agora vai?

Olá, pessoal, tudo bem com vocês?

Hoje quero conversar a respeito de algumas mudanças que venho buscando implementar em minha vida. De fato, há muitas melhorias a serem feitas.

Após uma conversa animadora e, especialmente, revitalizadora, com a minha psicóloga, já cumpri dois propósitos assumidos. O primeiro foi comigo mesma: retornar, pela enésima vez, à academia. Foi dolorido? Certamente que sim! Mas, ao mesmo tempo, foi gratificante. Saí da House Gym - hoje posso noticiar aos quatro ventos a academia que orgulhosamente frequento desde novembro de 2016, quando fui muitíssimo bem acolhida por sinal! - realizada. Tive uma importante conversa com a Nicole, minha instrutora, sobre a qual falarei mais adiante.

Outro compromisso assumido, este com a Fernanda, minha psicóloga, foi a elaboração de um currículo até quarta-feira. É fato que lhe enviei a primeira versão de um currículo, mas já é um início. Provavelmente, até lá acrescentarei outras informações que possam ser consideradas pertinentes e que ainda não tenham me ocorrido.

De toda forma, eu preciso voltar as minhas atenções para tarefas que possuem relação com o jornalismo. Afinal, além deste blog, tenho o dever de entregar textos semanais para dois sítios feministas, além de viabilizar em definitivo a criação de meu canal no You Tube - desejo que, aliás, nutro há, pelo menos, dois anos.

A propósito, a consulta desta tarde com a Fernanda foi de suma importância. Suspeito que mudanças significativas virão. Talvez não reste pedra sobre pedra. Entretanto, é da vida. Afinal, a vida é feita de ciclos e um deles pode estar se encerrando nas próximas semanas. Novamente, é chegada a hora de fazer aquela avaliação básica a respeito do que ainda cabe em minha rotina, no meu cotidiano e fazer uma relação direta com o quanto tenho sido, ou não, valorizada em certos meios que frequento.

Por outro lado, amanhã (terça, dia 06), irei finalizar a turnê de retificação dos documentos! Sim, está chegando a hora! Por ora, não tecerei maiores comentários. Contudo, sugiro que acessem o blog amanhã, pois escreverei a respeito.

Quanto à conversa que tive com a Nicole foi a respeito da minha (má) alimentação. Assim como a endocrinologista do Clínicas, ela me alertou para a necessidade da mudança de hábitos. Infelizmente, devido ao Transtorno Alimentar Restritivo-Evitativo com subtipo de Ansiedade (TARE-A), é extremamente difícil provar, quiçá adicionar, alimento ao meu cardápio. Aliás, registre-se, para a posteridade, o pito que tomei da Nicole: "Lu, tu não é (sic) mais uma garotinha!". Ela salientou que preciso deixar de comer carboidratos após a academia e parar de beber cerveja e refrigerante. Enfim, o processo é hercúleo.

Proporção ideal a ser consumida em cada grupo alimentar
(Fonte: Brasil Escola)

Além disso tudo quero ressaltar que sigo colocando a minha vida em ordem de acordo com os preceitos do Método GTD. Aos poucos, vou me achando. Parece fácil, mas não é. É preciso se fazer várias revisões, releituras, reorganizações, além de adquirir certos hábitos que não são tão simples assim. Mas eu hei de chegar por lá porque eu confio muito na minha capacidade de resiliência.

Beijocas.

27/10/2018

Sobre Eleições, Óculos e Livros

Olá, pessoal! Eis que dois meses após a postagem mais recente, estou de volta. A pausa se fez necessária em função da campanha eleitoral à deputada federal. Fiz 359 votos em 73 municípios do Rio Grande do Sul. Minha maior votação foi em Porto Alegre (onde fiz 90 votos), mas tive votações que me surpreenderam em Caxias do Sul, Santa Maria e Pelotas.

Mas o que importa é que gostaria de compartilhar algumas coisas com vocês. A primeira é que, desde 05 de outubro, estou usando óculos.


Sinceramente, curti muito o óculos. Aparentemente, não há nada de mais, porque toda a parte externa da armação é vermelha. Porém, na área interna, a armação é bem trabalhada.

No sábado passado, estive em Porto Alegre, onde participei de mais um ato #elenão. 

Esta semana, é pertinente mencionar, cumpri a meta de leitura que havia me imposto para 2018. Concluí a leitura do 12º livro. A lista, por ordem de sobrenome de autor(a), é a que segue:

* ARCURI, Nathalia. Me Poupe!: 10 Passos para Nunca mais faltar Dinheiro no seu Bolso. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
* BUKHARIN, Nikolai; PREOBRAJENSKI, Ievguêni. ABC do Comunismo. 2ª ed. São Paulo: Edipro, 2018.
* BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade. 13ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
* CAMPOS, Vladimir. Organizando a Vida com o Evernote. ebook. 2012.
* GERCHMANN, Leo. Coligay: Tricolor e de Todas as Cores. Porto Alegre: Libretos, 2014.
* GODINHO, Thais. Casa Organizada: A Arte da Organização para transformar a Casa e a Rotina de quem não tem Tempo. São Paulo: Editora Gente, 2016.
* _________. Trabalho Organizado: Encontre Equilíbrio e Significado num Mundo Cada Vez Mais sobrecarregado. São Paulo: Editora Gente, 2018.
* GUARESCHI, Pedrinho; RAMOS, Roberto. A Máquina Capitalista. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1988.
* MIGUEL, Luis Felipe; BIROLI, Flávia. Feminismo e Política: Uma Introdução. São Paulo: Boitempo, 2014.
* NUZZI, Gianluigi. Vaticano S.A.: O Arquivo Secreto que revela Escândalos Políticos e Financeiros da Maior Instituição Religiosa do Mundo. São Paulo: Larousse do Brasil, 2010.
* PIEDADE DA SILVA, Inajara. A Transexualidade sob a Ótica dos Direitos Humanos: A Redesignação de Sexo na Sociedade Globalizada. Porto Alegre: Sulina, 2018.
* PRECIADO, Paul B. Manifesto Contrassexual: Práticas Subversivas de Identidade Sexual. São Paulo: n-1 edições, 2017.

Cumprida a meta de leituras, decidi iniciar a leitura de dois livros. Sim, dois livros:

* BRANT, T.; MOIRA, Amara; NERY, João W.; ROCHA, Márcia. Vidas Trans: A Coragem de Existir. Bauru: Astral Cultural, 2017.
* KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Como vocês podem perceber, eu gosto de ler. E fazia anos que eu não li como em 2018. Aliás, voltei a "sofrer" com um sentimento bacana: a síndrome de abstinência de leitura. Ela se manifesta sempre que estou concluindo um livro. À medida que as páginas vão sendo extintas, meu cérebro, de forma impaciente, já começa a se preocupar com qual será o próximo livro. Sem dúvida, este é um dos melhores problemas com os quais se poder conviver!

Também é interessante esclarecer porquê estou lendo dois livros. A minha ideia era ler "Rápido e Devagar", cuja leitura foi recomendada pela Nathália Arcuri, em "Me Poupe!", juntamente com outros quatro livros. Ocorre que o livro é um "tijolo", pois possui pouco mais de 600 páginas... E quem me conhece sabe que sempre tenho um livro dentro da bolsa para aproveitar o tempo ocioso. Entretanto, claramente, é inviável carregar um "tijolo" desses dentro de uma bolsa. Foi assim que surgiu a leitura de "Vidas Trans", que é um resumo autobiográfico de cada um dos autores supramencionados. Além de ser, é claro, um livro bem mais leve e, por isto mesmo, prático de carregar na bolsa.

Bem, por enquanto, era isto. Porém, já adianto que, no próximo post, irei escrever sobre a experiência que tive em assistir ao jogo de ida das semi-finais da Taça Libertadores, entre River Plate e Grêmio, na sede da Tribuna 77, em Porto Alegre.

Beijocas.

13/08/2018

Vitórias e Visitas

Olá, pessoal, tudo bem?

As últimas semanas têm sido bastante agitadas. No penúltimo texto postado aqui, mencionei que haveria a Convenção Estadual do PSOL RS no domingo, dia 22 de julho. A última postagem foi dois dias depois e eu acabei esquecendo de comentar a respeito, até porque foquei no "Me Poupe!", da Nathalia Arcuri.

O fato é que naquele domingo foi homologada minha pré-candidatura à deputada federal. A documentação toda já foi encaminhada e deverá ser analisada até meados de setembro, assim como as outras candidaturas.

Também ando muito empenhada na finalização da retificação de minha documentação. No dia 03 de agosto, por exemplo, fui até ao campus de São Leopoldo da Unisinos, retirar meu diploma de Jornalismo retificado. Depois, fui com uma amiga ao Ka-Churrasco celebrar mais esta conquista.

Gláucia e eu no Ka-Churrasco
Outra retificação que está em andamento, é a da averbação das matrículas de um imóvel que recebi de herança. Por ora, apenas quero que saibam que a equipe do Ofício de Registro de Imóveis de Novo Hamburgo, está muito receptiva e disposta a se chegar à uma solução que satisfaça ambas as partes. Felizmente, está tudo bem encaminhado e eu devo retirar a documentação ainda esta semana. Assim que eu estiver com o documento em mãos, compartilharei a respeito desta verdadeira epopeia. 

Com relação à semana passada, foi relativamente bem agitada. Na segunda, eu tive consulta de psiquiatria no Protig do HCPA; na terça, eu recebi a visita de uma amiga, que está morando nos Estados Unidos e veio me auxiliar na atualização do meu Currículo Lattes; e, por fim, no sábado, concedi entrevista para uma estudante de mestrado em Direito da Unilasalle.

Bem, eu gostaria de me concentrar nestas visitas. Conheci a Bianka, na House Gym, academia que frequentávamos aqui em Novo Hamburgo. Convivemos durante algum tempo, até que ela embarcou para os Estados Unidos (onde está morando em Johnson City, no Tennesse - um Estado conservador que faz divisa com as Carolinas do Sul e do Norte, Alabama, Arkansas, Kentucky e Missouri) a fim de aperfeiçoar seu inglês. Ela está em visita ao Brasil, antes de embarcar rumo à Namíbia (em busca de um documento para sua próxima pesquisa acadêmica). Bianka me contou ainda sobre suas visitas ao antigo campo de concentração de Auschwitz, que, apesar de muitos imaginarem que fica na Alemanha, na verdade, se situa na Polônia, há cerca de umas duas horas da fronteira com a Eslováquia.

Com minha amiga Bianka com as cartilhas do PSOL em mãos
E, pasmem, ela esteve por lá em três ocasiões diferentes. Na primeira, foi como visitante comum; na segunda, para um curso de uma semana (onde hospedaram todos participantes em um hotel que ficava defronte ao antigo campo de concentração...); por fim, na terceira ocasião, ela ingressou em uma área restrita de Auschwitz - mais precisamente, onde eram feitas as experiências científicas com seres humanos.

Já no sábado, eu recebi a visita da Marcela, estudante de mestrado em Direito pela Unilasalle. O objetivo era que eu respondesse cinco questões sobre seu trabalho de pesquisa. Naturalmente, que sua visita não se resumiu a isso. Conversamos muito a respeito de assuntos relacionados à transexualidade. Enfim, ela ficou cerca de três horas aqui em casa.

Com a Marcela, logo após o fim da entrevista
Sem dúvida, ambas as visitas foram muito proveitosas. Fiquei bastante em feliz em ajudar a Marcela e ser ajudada pela Bianka (a quem espero poder retribuir de alguma forma no futuro).

Hoje, eu deveria ter ido a Porto Alegre para a sessão do grupo do Protig, coleta de sangue e consulta com a minha psicóloga. Além disso, teria uma reunião na Unisinos, a respeito da questão das verbas da CAPES, na frente do DCE. Porém, como claramente não estou em condições físicas e mentais, devido à uma forte gripe que se abateu sobre mim, desmarquei toda a agenda do dia.

Por fim, eu gostaria de comentar que pretendo implementar uma rotina de publicações regulares neste blog. Até porque, tenho ouvido das pessoas que este blog é muito legal e que eu deveria escrever mais. Tenho consciência de que este blog é uma faca de dois gumes, pois, ao mesmo tempo em que exponho a minha vida, eu também estou contribuindo com o combate à transfobia, pois tenho procurado desmistificar muitos "dogmas" acerca das pessoas transexuais e travestis.

Beijocas.

24/07/2018

Seios e TH com Perlutan

Edit de Advertência: Devido ao elevado número de acessos nesta postagem e, considerando-se, os riscos inerentes à automedicação, neste caso específico em relação à terapias hormonais, ADVIRTO que eventuais consequências e/ou sequelas decorrentes do uso inadequado destas, ou de quaisquer outras substâncias, é de total responsabilidade do(a) leitor(a).

Ass: Luíza Eduarda dos Santos

Autodiagnóstico: Dinheirofobia

Capa do livro com foto da autora

Olá, pessoal, tudo bem?

Vocês até podem achar que, após a próxima revelação, eu seja hipocondríaca. Mas não é essa a questão. Na última sexta-feira iniciei a leitura de "Me Poupe! - 10 Passos para Nunca mais faltar Dinheiro no seu Bolso", da jornalista Nathalia Arcuri. E daí? Bem, eis que logo no primeiro capítulo ela menciona um 

"vírus silencioso pode estar instalado no seu cérebro provocando sintomas aparentemente inofensivos, como: 

  • Sentir vergonha de pedir desconto;
  • Achar feio falar sobre dinheiro e divisão de gastos;
  • Ter medo de pedir aumento de salário;
  • Pensar que os ricos são maus e os pobres são bons;
  • Estar certo de que investir é para quem tem muito dinheiro;
  • Acreditar que Deus ajuda quem tem um parcelinha para pagar.

    Se você se reconhece em pelo menos uma das situações acima, sinto muito lhe dar o diagnóstico de forma tão direta: você está com dinheirofobia".
Repararam na palavrinha em itálico? Dinheirofobia? Pois então... eu admito! Sofro de dinheirofobia! Sempre tive dificuldades em falar sobre dinheiro, em lidar com dinheiro. Felizmente, tive a brilhante ideia de adquirir este livro da Nathalia Arcuri, que, por sinal, conheci graças à indicação da minha psicóloga, a Fernanda Carrion. Lê-lo está sendo uma terapia. 

Inclusive, neste momento, estou seguindo uma dica da autora: "Compromissos públicos ajudam a manter o foco. Se você quer aumentar as chances de curar a dinheirofobia, publique uma foto em alguma rede social com a #AdeusDinheirofobia. Não se esqueça de me marcar: @Nathaliaarcuri. Tô de olho em você!". 

Ok, não estou publicando uma foto, mas estou assumindo o compromisso através deste texto.

Logicamente, que tal medida faz parte da operação de organização pessoal que venho desenvolvendo desde os princípios de 2017. Reconheço que a implementação do Método GTD não está finalizada, entretanto, não posso mais continuar procrastinando a correção de rumos no que concerne às minhas finanças, pois, do contrário, poderei considerar todos os outros planejamentos como natimortos.

É duro ter de reconhecer isso. E eu sei que preciso me organizar melhor financeiramente. Aliás, isso faz me lembrar da defesa de dissertação de mestrado da minha amiga Mariana Rost, no qual ela comentou que "as pessoas costumam falar sobre sexo, mas não sobre dinheiro". #Fato. Ela está absolutamente certa! Aliás, se não fosse por ela, eu não teria conhecido a Fernanda, que não teria me recomendado o canal da Nathalia Arcuri no You Tube.

Por essas e por outras que eu considero que há uma forte interligação entre as coisas. Muitas das experiências que vivi nos últimos anos possuem algum nível de interligação. Mas se você pensou que isso termina em círculos, se enganou. Na verdade, essas interligações estão mais para efeitos dominós, pois uma coisa puxa a outra. 

Bem, mas depois dessa pirada básica, voltamos à nossa programação normal... ou melhor, à vaca fria, ao assunto em questão.

O fato é que estou ciente de que terei muito trabalho a executar nessa seara e que, daqui para frente, eu não poderei mais me descuidar em relação às finanças. Assim, o show da Pitty, no Opinião, em 30 de agosto, será o último grande investimento durante um bom tempo. Até porque o ingresso já está comprado. É preciso lembrar que haverá gastos dentro do Opinião, uma vez que você não vai a bar, permanece nele durante horas e sai de lá sem comer ou beber alguma coisa. Além disso, tem o custo dos deslocamentos: trem, ônibus, Uber (?). No fim, os gastos irão longe, mas, será por uma boa causa, afinal, tem dois anos que eu quero ver um show da Pitty. Ademais, assumi compromisso comigo mesma de que iria a show dela na primeira vez que ela viesse a Porto Alegre após a retomada da carreira, interrompida por conta da gravidez e da maternidade.

 Enfim, irei retomar a leitura do livro agora, até porque assumi o compromisso de concluí-lo até 31 de julho.

Beijocas.

20/07/2018

Novidades, Novidades e Mais Novidades

Olá, pessoal, tudo bem?

Tenho algumas novidades para compartilhar com vocês. Anteontem retirei minha nova Carteira de Trabalho - sim, eu tenho consciência de que, após a Reforma Trabalhista de Temer, ela já não tem mais a mesma utilidade de antes. Mas julguei prudente fazê-la mesmo assim. É sempre um documento a mais para ser usado em caso de necessidade.

Por falar nisso, decidi ainda que, enfim, irei providenciar minha associação junto ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio Grande do Sul (SINDJORS). E, naturalmente, irei solicitar minha carteira profissional, que, por sinal, também poderei usar em determinadas ocasiões.

Outra novidade é que já estou em mãos com a minha nova Carteira de Identidade e que, por conta disso, consegui providenciar a segunda via do diploma de Jornalismo, na Unisinos, e a retificação do meu nome na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Quanto ao diploma, é preciso registrar que a solicitação já foi feita e agora estou no aguardo. Já a retificação da CNH foi feita concomitantemente com sua renovação, afinal, vencia no final do ano. Assim, nada mais lógico, do que aproveitar para renová-la, não é mesmo?

Há pouco, concluí a leitura de "Vaticano S.A.", de Gianluigi Nuzzi. Em seguida, aproveitei o embalo para iniciar a de "Me Poupe! - 10 Passos para nunca mais faltar Dinheiro no seu Bolso", da jornalista Nathalia Arcuri, responsável por um blog e canal no You Tube com o mesmo nome.

Por fim, e não menos importante, é que me tornei pré-candidata à deputada federal pelo PSOL RS. Com relação à esta novidade, meu nome deverá ser confirmado na Convenção Estadual deste domingo, que será realizada, a partir das 14 horas, no Plenário Ana Terra, na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Mas, vocês devem estar se perguntando o quê me levou a decidir por ser candidata este ano. Bem, acontece que o Brasil, definitivamente, precisa ser consertado! Já temos minhas plataformas de campanha, porém, devido à Lei Eleitoral, não as divulgarei antes que toda função tenha início de forma oficial. Contudo, tenho certeza, de quem me conhece, já sabe as bandeiras que irei defender.

O fato é que estou me preparando psicologicamente para a campanha, afinal, suspeito que serei vítima de haters. Por isso mesmo, restringi ao máximo o acesso ao meu perfil pessoal no Facebook. 

Enfim... por ora, era isso que eu gostaria de comentar com vocês.

Beijocas.

01/07/2018

Resumão dos Últimos Dias

Quarto decentemente organizado após a aplicação do Método GTD

Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Então...

Em 21 de junho, obtive a minha nova Certidão de Nascimento. Desde então, muitas coisas mudaram na minha vida. Eu me tornei uma mulher bem mais confiante e segura. Além disso, decidi que, doravante, irei me priorizar de uma forma tão absolutista como as monarquias europeias da Idade Média.

Por conta disso, nessa última semana, publiquei um texto no Facebook através do qual anunciei que, por ora, estarei dando um tempo na minha trajetória enquanto ativista e colocando em stand-by minha participação dentro do PSOL. Mas por que tomei tais decisões?

Ocorre que agora, mais do que nunca, eu preciso organizar a minha vida. Já no dia 22 de junho, estive no Instituto Geral de Perícias para confeccionar minha nova Carteira de Identidade e, posteriormente, fui até a sede da Receita Federal para providenciar meu novo CPF. Aproveitei ainda para já atualizar meu cadastro no Tabelionato Barreto ainda naquele mesmo dia.

Na terça-feira, dia 26, minha turnê foi bem grandinha. Primeiro, fui até o SINE, me informar a respeito da Carteira de Trabalho. Devidamente orientada a respeito da necessidade de retificar o PIS, fui até a agência mais próxima da Caixa Econômica Federal, e o alterei sem mais dificuldades. De lá, segui para o Tabelionato Fischer, onde também atualizei meu cadastro. Por fim, fui até o Registro de Imóveis, onde tomei um susto com os custos envolvidos para fazer uma simples atualização cadastral...

Já no dia seguinte, fui à minha agência bancária providenciar a atualização do cadastro. Foi quando fui testemunha de uma cena que jamais imaginei que fosse presenciar: após termos terminado os procedimentos burocráticos, a gerente da minha agência chorou. Quando olhei para ela, vi as lágrimas escorrendo de seus olhos. Ela estava emocionada, pois sabia de toda a minha luta para eu me apropriar de fato do meu nome.

No início da tarde de quinta-feira, por sua vez, eis que descubro que haverá um show da Pitty, no Opinião, em Porto Alegre, no dia 30 de agosto. Adivinhem o que aconteceu? Sim, eu surtei! Não sosseguei antes de ter conseguido adquirir o ingresso para o show.

Na sexta-feira, por sua vez, a agenda foi bem agitada. Primeiramente, fui no Le Joli Hair, onde tinha hora com a Leandra (minha manicure) e com a Dani (designer de sobrancelha). Mais tarde, peguei o trem rumo a Porto Alegre para consulta com a minha psicóloga. O último compromisso do dia era uma entrevista para estudantes de uma cadeira de telejornalismo da Famecos, na PUCRS. Porém, no intervalo de tempo entre ambos os compromissos, fiz um pit-stop no maravilhoso Café do Avesso.

Sobre este final de semana, tudo o que posso dizer é que foquei na aplicação do método GTD. Ontem, eu capturei, esclareci (ou, se preferirem, processei) e organizei as àreas visíveis do meu quarto e também as gavetas da mesa de trabalho. Para terem uma dimensão do feito, devo ter levado, pelo menos, umas três horas. Agora à noite, foi a vez de eu me concentrar nas gavetas das lingeries. O que fiz foi literalmente uma triagem: o que ficou, o que será doado e o que irá para o lixo, pois não possui mais condições de uso. O resultado vocês podem conferir na foto que ilustra este texto em sua abertura.

Enfim, eis um breve resumão do que foram os meus últimos dias.

Beijocas.